Temos observado com tristeza as últimas notícias sobre as alterações climáticas, desastres naturais e incertezas sobre o futuro da humanidade. Muitos são os fatores que desencadeiam esses acontecimentos, entre eles o descaso dos homens pela eficiente preservação dos recursos naturais ainda disponíveis.
Victor Papanek (2002, p. 12) cita duas teorias relacionadas à sobrevivência do planeta. Uma delas é de Buckminster Fuller, que defendeu a idéia de que as futuras invenções tecnológicas acabariam por remediar o que há de errado na Terra. Já a Teoria de Gaia, de James Lovelock, afirma que o planeta se adaptará às devastações, através de seu poder de auto-reparação. O que não se considerou foi o fato de que “[...] esta teoria não prevê a existência da nossa espécie num planeta que se modificou em conseqüência dos ataques humanos à sua biodiversidade e ao seu equilíbrio.” (Papanek, 2002, p. 12).
Esta observação de Papanek remete à necessidade de se tomar atitudes que preservem não apenas o ambiente, mas a vida humana que depende dele para existir.
Com essa preocupação, cientistas e especialistas do mundo todo buscaram soluções através de discussões e propostas que geraram algumas polêmicas devido ao fato de não agradar a todos os governos, instituições e interesses diversos. Até que, em 1987, a Comissão Mundial da ONU Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), presidida por Gro Yarlem Brundtland e Mansour Khalid, apresentou o Our Common Future, ou relatório Brundtland, que diz:
“Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades.”

Desenvolvimento Sustentável
Vários são os fatores que contribuem para a degradação do ambiente, entre eles, questões políticas e sociais, que podem ser abordadas em outras oportunidades. Mas cabe ressaltar que cada pessoa contribui com ações individuais para a devastação do ambiente e somente o reconhecimento dessa responsabilidade individual poderá auxiliar na salvação do Planeta e garantia da existência das gerações futuras.
Porém, existem pessoas que, por sua profissão, têm um grau de responsabilidade mais elevado. E esse não é o caso apenas dos presidentes, governadores, prefeitos, líderes, mas também de quem está ligado ao desenvolvimento de produtos, entre outros.
Uma das grandes funções do profissional em design é se perguntar, a respeito de um novo produto, como ele irá se relacionar com o meio e o ser humano. Tudo o que o designer cria provoca intervenções no ambiente e na sociedade, sejam elas boas ou ruins. Além disso, o designer tem a função de orientar e influenciar seus clientes a respeito de suas escolhas.
O designer de produto está diretamente ligado às decisões que irão ou não causar grandes impactos no meio. Sua responsabilidade está configurada em todas as fases da vida de um produto, desde a escolha do material, até seu descarte no meio.
O material escolhido pode ser originado de fontes não renováveis ou exigir grandes consumos de energia ou combustíveis, até chegar à fábrica. Os processos de fabricação também envolvem gastos de energia ou podem comprometer a segurança dos operários, a exemplo do chumbo e do mercúrio, que são cancerígenos. Além disso, grande parte das fábricas libera poluentes, resíduos líquidos ou sólidos ao meio, que irão contaminar o ar, a água e a terra ao redor. A próxima fase é a embalagem do produto, que envolve outras fontes de materiais, muitas vezes agressivos ao ambiente, como é o caso dos plásticos esponjosos, os quais causam grandes desequilíbrios ao meio por não se degradarem.
O produto acabado também influencia o meio. Precisa-se saber se é econômico, se irá gerar gasto de energia, se terá durabilidade. Além disso, há o transporte que, na maioria das vezes, utiliza combustíveis fósseis, ou seja, não renováveis. Por último, voltando ao produto, ao fim de sua vida útil, será descartado ao meio e, dependendo do material, permanecerá intacto durante séculos até sua completa degradação, ou então será reutilizado durante a reciclagem. Portanto, para que se crie um produto ecologicamente correto é necessário observar todas essas fases de sua existência, através da “avaliação do ciclo de vida do produto”.
Hoje, realizar ações e produtos focando a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável ainda é um grande diferencial para empresas e profissionais de todas as áreas. Amanhã, irá significar a sobrevivência da própria espécie humana.
BRUNO, Denise C. – Design Social – Mobiliário Urbano para a Estação da Luz, Monografia, FMU, São Paulo, 2005.
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